As máquinas que ficaram mais caras em 2026

A Nintendo vai subir a Switch 2 para 499,99 euros em toda a Europa a partir de 1 de setembro de 2026, contra os 469,99 euros atuais, uma alteração que a empresa apresentou nas contas de 8 de maio e atribuiu aos preços dos chips de memória inflacionados pelo boom da IA, às tarifas dos Estados Unidos e a taxas de câmbio desfavoráveis. O mesmo preço de tabela passa a 499,99 dólares nos Estados Unidos e a 59.980 ienes no Japão. Não é um ajuste de lançamento num produto novo, é um aumento a meio da vida de uma máquina que está nas prateleiras há mais de um ano.

A Sony foi mais longe. A atualização de março, em vigor desde 2 de abril de 2026, foi o segundo aumento da PS5 em menos de um ano e subiu a consola normal e a Digital Edition em 100 euros cada uma na Europa, colocando a PS5 Pro em 899,99 euros. A Valve juntou-se em maio, quando a Steam Deck OLED regressou de meses de escassez a 779 euros no modelo de 512 gigabytes, mais 210 euros, e a 919 euros no modelo de um terabyte, mais 240 euros, sem qualquer alteração no hardware lá dentro. Três fabricantes diferentes, um único sentido de marcha.

A consola barata foi sempre uma aposta na memória barata

Durante quatro décadas a consola foi o barbeador vendido para vender as lâminas. O hardware saía ao custo ou abaixo do custo, o lucro vinha dos jogos, dos acessórios e das subscrições, e a máquina ficava fiavelmente mais barata à medida que envelhecia. Esse modelo só funciona se as peças lá dentro continuarem a descer de preço no prazo previsto, o que sempre aconteceu. A redução a meio da vida não era generosidade, era o plano.

A memória quebrou o plano. Os centros de dados de IA consomem hoje cerca de 40 por cento da produção mundial de DRAM e a consultora TrendForce calculou uma subida dos preços de contrato do DRAM convencional entre 55 e 60 por cento no primeiro trimestre de 2026 e mais 58 a 63 por cento no segundo. Os fornecedores estão a orientar as fábricas para a memória de alta largura de banda que os servidores de IA melhor pagam, deixando a Sony, a Nintendo e a Valve a licitar pelo que sobra. Quando um fabricante de consolas e um hiperescalador querem o mesmo silício, quem perde é o fabricante de consolas, e o preço da caixa sobe em vez de descer.

Esperar por uma descida de preço é, desta vez, o plano errado

O hábito de qualquer comprador experiente é esperar, porque as consolas acabam sempre por ceder. Esta geração não vai recompensar essa paciência enquanto a memória se mantiver escassa. Quem quiser uma Switch 2 a 469,99 euros tem como data limite prática o dia 31 de agosto, porque o preço de tabela mais alto entra em vigor no dia seguinte, e a partir daí a disciplina passa por procurar pacotes e promoções das lojas em vez de contar que o preço base regresse aos mínimos antigos.

A próxima geração está a ser desenhada dentro do mesmo teto. O custo de materiais atribuído à PS6 ronda os 960 dólares, o que torna muito mais difícil justificar o velho truque de vender o hardware com prejuízo e recuperá-lo mais tarde. Se a Sony e os seus rivais fixarem o preço das próximas máquinas perto do que custam a fabricar, chega ao fim o acordo de hardware barato e jogos caros que definiu os videojogos durante quarenta anos. Quem tem acompanhado o superciclo da memória de IA através dos centros de dados e dos telemóveis deve registar que ele chegou agora à sala de estar.